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Estudo inédito mapeia 819 espécies de peixes raros no Brasil

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Estudo inédito mapeia 819 espécies de peixes raros no Brasil.

Com base nesses dados, pesquisadores identificaram 540 áreas-chave para a conservação dessas espécies nas águas doces do país, 40% delas em estado avançado de degradação

Um grupo de seis pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da ONG Conservação Internacional (CI-Brasil) identificou 819 espécies de peixes raros de água doce no Brasil. O estudo, publicado pela revista científica eletrônica PLoS ONE em junho de 2010, é resultado das análises das informações acumuladas ao longo de décadas sobre a fauna de peixes brasileiros e de coleções científicas e representa o mais completo mapeamento já elaborado sobre peixes raros de água doce no Brasil.

“Esse mapeamento representa um passo importante para que finalmente a sociedade brasileira passe a reconhecer que os nossos rios, além de serem fontes de água, alimento e energia, são também lugares onde uma importante parte da biodiversidade única do país está presente”, afirma Naércio Menezes, da Universidade de São Paulo e co-autor do estudo.

Com base nas distribuições das espécies de peixes raros foram identificadas 540 bacias hidrográficas que podem ser consideradas como áreas-chave para a conservação (ACB) dos ecossistemas aquáticos brasileiros. As ACBs são lugares insubstituíveis, pois abrigam espécies de peixes que somente ocorrem lá e em nenhuma outra parte do mundo. “Sem estudos detalhados de mapeamento, é impossível saber quais áreas específicas abrigam biodiversidade única e sob grande ameaça,” enfatiza outro autor do estudo, Cristiano Nogueira, da Universidade de Brasília. Segundo o estudo, apenas 26% das 540 bacias hidrográficas identificadas como ACBs podem ser consideradas como razoavelmente protegidas. Do total, 220 (40%) ACBs estão em estado crítico devido ao impacto direto de hidrelétricas ou por apresentarem uma combinação de baixa proteção formal (Unidades de Conservação) e altas taxas de perda de habitat. Tais áreas críticas passam por um rápido processo de degradação ambiental e abrigam 344 espécies endêmicas de peixes, ou seja, aquelas apenas encontradas na região. “Se o atual ritmo de degradação dessas ACBs continuar como está, o Brasil corre o risco de perder uma parcela importante do seu patrimônio biológico único em pouco tempo, o que seria um desastre em grandes proporções para a principal potência biológica do planeta”, afirma Fábio Scarano, diretor-executivo da CI-Brasil.

Pioneirismo – O estudo é o primeiro realizado em microescala no Brasil, o país com a fauna de peixes de água doce mais rica do mundo. “Os resultados apontam que a conservação da biodiversidade aquática e a manutenção desses ecossistemas têm sido negligenciadas ao longo dos anos”, diz um dos autores do estudo, Paulo Buckup, pesquisador do Museu Nacional da UFRJ e presidente da Sociedade Brasileira de Ictiologia. Segundo Buckup, o estudo somente foi possível em virtude da imensa quantidade de conhecimento acumulado nas últimas duas décadas pelos ictiólogos brasileiros, que formam um grupo de excelência mundialmente reconhecido na área de biodiversidade.

De acordo com Thais Kasecker, coordenadora de serviços ecossistêmicos do programa Amazônia da CI-Brasil e uma das autoras da pesquisa, o estudo apresenta um método simples e direto de detecção de áreas-chave para a conservação de ecossistemas de água doce baseado na presença de espécies restritas a microbacias e ameaçadas de extinção. “A metodologia utilizada representa um ponto de partida para a elaboração de estratégias de conservação mais representativas, que aliam tanto os ecossistemas aquáticos quanto os terrestres”, diz Kasecker.

“A criação urgente de planos de conservação para as ACBs, a implementação de governança apropriada de ecossistemas aquáticos e de pagamentos por serviços ambientais nessas 540 áreas-chave identificadas serão decisivas para evitar a extinção de peixes raros de água doce do Brasil”, conclui José Maria Cardoso da Silva, vice-presidente da CI para a América do Sul e um dos autores do artigo.

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Veja algumas fotos das espécies encontradas, clique na imagem para vizualizar em tamanho maior.

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